
Usualmente, quando sou agredido, assumo uma postura diferente da do agressor: reflito sobre o porquê da agressão. Por isso, imersa nessas marés de sentimentos caóticos que me invadem e as analiso sob a ótica do agressor
Argumentos teóricos e práticos hipoteticamente passíveis de decifrar os segredos desse esfinge que mora em mim.
Aprendi que a ética é absoluta, é o que deve ser; que a moral é relativa, é o que simplesmente é. Em meu atual dilema, ambas confluem numa torrente só. Como devo ser aquilo que não sou? Como não devo sentir aquilo que sinto? Como teorizar e praticar? A vida não é uma práxis? Não é uma simbiose entre discurso e aplicação? O fundamento racional de Kant e o emocional de Maturana se misturam aqui dentro.
Gostar de alguém é muito complexo, como diz um dos meus filósofos franceses preferidos. E quando leio aqueles pronomes de possessividade, a sensação é de estranheza. Talvez porque eu não me afino com esse lance de TER ou de SER alguém. Eu quero mais é SER COM . Cada um é livre e a incerteza é o que há de mais certo no universo afora. Reaprendo isso a cada segundo.
Tenho mesmo algum poder? Vejo-me obrigado a desmistificar essa crença e eximir-me de uma culpa que não me pertence. Concordo com Foucault: o poder não está em mim e sim na relação estabelecida entre eu e o outro. É o modo de se relacionar que afasta ou aproxima as pessoas. Sentir e expressar o que se sente é direito pessoal, intransferível e não é sinônimo de concretizar. Isso está além de um: depende de dois.
Que venham Freud, Jung, Lacan. Que venha Nietzsche dizer que o homem é o criador de seus valores e que toda arte é um meio para o crescimento. Faço arte com meu gostar mas sem esquecer que os fins não justificam os meios. Não sou ameaça: ela existe no íntimo de quem a vê. Portanto, que me perdoem os ciumentos, mas ciúme, pra mim, é o tempero perfeito para o fim. O real tempero do amor chama-se respeito.
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viver criando às 7:52 PM